17 agosto 2011

Se há algum problema...

É justamente fazer tudo isto. Enfrentar madrugadas adentro com ensaios que exigem treinamentos e, consequentemente, movimentos corpóreos que fazem você lembrar que possui, de fato, um corpo, todas as noites antes de dormir. Se há algum problema... É justamente este, se atirar na trajetória do herói e buscar na sua sombra o quê falar. Mas o quê falar se o ''X'' da questão esta tão evidente ao mesmo tempo que está tão distante. As dúvidas são compensadas depois. A beleza do momento é justamente não enxergar o que virá logo adiante. Será? A vizinha perguntou, em uma manhã dessas, enquanto lavava a calçada com uma mangueira fashion e rosa, por que fazer teatro(?), isso ajuda para alguma coisa(?), como se não bastasse concluiu levantando uma questão tão forte e fundamental, afinal, o que é Teatro? Assustei. Levei um grande susto, bruto e profundo. Como responder essas coisas? Talvez isto nem tenha respostas e se tiver talvez estejam longes e devem ser perguntadas a todos os momentos, todos os dias, todos os anos, se possível. Afinal, talvez a resposta varie de acordo com o que estamos vivendo. A última questão poderia responder com total exatidão, passando ainda uma imagem de garoto inteligente e ciente da merda que está metido, falando, brevemente - se é que dá pra falar desta forma - a história do teatro, ou melhor, recorrendo a raiz da palavra, lá nos grandes gregos, afirmando com total convicção que teatro é Lugar onde se vai ver. Daí, partiria para uma encabulação metido teórico, leitor de alguma porra, que dissertaria acerca das mudanças nesta arte dramática. Mas não me senti à vontade para tal feito. Afinal, o que é Teatro? Pensei em arriscar-me de acordo com a coleção primeiros passos que, ironicamente, possui um livro com este título. Seu autor, Fernando Peixoto,  com um grande saber histórico, esclarece de uma forma sucinta o que é este trambolho que tanto gera dúvidas. Poderia ainda recorrer nos meus almejados objetos de estudos e buscar em Aristóteles, Diderot, Voltaire, Rousseau, Nietzsche e tantos outros, algo que respondesse a grande pergunta, mas preferi não fazer isso, afinal, cada um viveu em momento, em um lugar. Com exceção dos franceses Diderot e Voltaire junto com o briguento Rousseau que até amigos eram, mas isso não vem ao caso. Por fim me recordei de uma famosa mesa de bar que um dia me encontrava com certos amigos, futuros intelectuais que se atiram numa droga pesada que se diz amiga da sabedoria, onde questionavam, junto com a embriaguez, o que é ser um intelectual. A brincadeira parecia um roda viva - sabe o programa da televisão? -  onde ia passando de pessoa em pessoa que ali estavam. Quando chegou na minha vez, como sempre, busquei em uma explicação nada lógica e coerente uma resposta que saciasse todos. Por fim soltei um breve discurso argumentando que intelectual era um mero chinelo, desses comuns e populares, ondes as pessoas usam deles para caminhar nas calçadas das ruas, na areia da praia e até dentro de casa. Este simples e exato calçado - no sentido de calçar, mesmo- que há muito tempo tornou-se um utensílio familiarizado a moda, com muitas variedades, era ao mesmo tempo que abandonado e esculachado, visto e aclamado. Uns os colocam no pódio, outros os ignoram totalmente. Mas por que estou falando tudo isso? Talvez o problema seja justamente isso, sermos chinelos e nem sabermos. O importante é que no fim das contas, após um ensaio, você aprende a limpar a bunda com folhas de revistas, com direito a toques fundamentais que enfatizam a importância de amassar várias vezes para não espalhar a merda e não machucar o cú. Viva a direção amiga!


Jacarandá, a vida continua e num pudêmo pará!

3 comentários:

Bruno Garbuio disse...

E viva os aprendizados necessários para a nossa vida em sociedade! Limpar a bunda com folhas de revistas é de fundamental importância.

Wilson disse...

Como já dizia Aline Dorel: Gente, me deixa ser burra, ser intelectual demais dói" :P

Bruno Garbuio disse...

Pode crê, Wilson! hahaha

Eu ainda completaria com a lindíssima da Rita Lee:

''Um dia depois
[...]
Tudo vira bosta... ''