18 setembro 2011

PB é pura Economia Solidária

Logo que o PB foi fundado, em meados de 2001, através de seus diretores, foram feitos convites para muitos jovens se juntarem à causa do teatro.
Logo o Grupo virou moda e um lugar legal para passar horas da semana de cada adolescente participante dos precoces trabalhos da época. Era "cult", sabe? E assim foi. Não poderia ser diferente. Estávamos numa escola particular de preceitos ocidentais, brancos, católicos...
Passados 08 anos, lá fui eu remontar o Grupo - o único sobrevivente após aventuras teatrais fora da escola - e fiz convites para algumas pessoas. Já não estávamos mais no colégio. Não tinha casa, respeito, nome, ninguém conhecia o PB, enfim... Buáááááá, buáááááááá....
Hoje continuamos sem casa. Nome tudo bem. Tem gente que fala que somos formadores de opinião! CREDO! Respeito... Bom, deixe-me penar... Não, respeito não. Ainda não temos o respeito da grande maioria das pessoas, governantes ou não. Buááááááá... Buááááááá... 2010 ficamos craque na arte de chorar. E sofrer. E de 2008 pra cá, ainda vejo espíritos guerreiros que continuam. Logo chegaram mais. Aqui estamos.
Nosso dia a dia de trabalho é fundado nos conceitos nobres da Economia Solidária. Os atores e diretor se mantém TRABALHANDO numa intensa troca espiritual de uma moeda solidária que ainda não batizamos. Chegamos 22:30h pro ensaio levados pela paixão, no ônibus do desejo, saímos 1:30h com a mesma paixão, elevada pelo coeficiente da intensidade dos momentos recém vividos. Depois do ensaio, quando os olhos ainda permancem abertos, paramos em alguma lanchonete. Milagrosamente dinheiro (Real) brota de algum lugar, silencioso, sorrateiro, proibido. OPA! O que faz a moeda REAL no nosso meio? E logo ela se esvaire no caixa mostro do Sr. Drácula. No outro dia é a mesma coisa: paixão, gasolina de algodão doce, passe escolar de confete da nestlé, mais paixão, bebedeira de poesia, trabalho, chega a suar. Teatro de Grupo não é fácil, diz o professor. E mais um dia. São três dias por semana. Somadas as horas gira em torno de 9 horas semanais, sem contar os intensivos nos finais de semana quinzenais. Feriado tb. Ganhamos horas extras de euforia e agitação. O coração bate mais rápido a cada texto, emociona. E a valorização ao ser humano, todos os pricípios da economia que faz sobreviver o PB, a solidária, se aprofunda, ganha forma e vira meio de trabalho, levando o REAL (mundo e moeda) para bem longe das nossas vidas.
Alguém falou em empresa? Ah, é! Esqueci de falar. Somos empresa COM FINS LUCRATIVOS, acreditam? Sabiam que teatro é atividade lucrativa? ééééé....... Nós aprendemos a assinar contrato, temos até nota fiscal!!! O que me aflige no momento é que estamos prestes mudar nossa filosofia solidária. O Sr Drácula está dando um curso para nós de Fluxo de Caixa e nos mostrou que estamos falidos desde a nossa fundação e que merecemos um prêmio de "Empresa Falida A Mais Tempo Trabalhando Na Cidade". Estamos falidos! Ó, e agora? O que fazer? Sem casa, respeito e FALIDOS!!!!! Será o fim? Ou o começo? O que falar no ensaio de segunda para Bruno, Ana, Nádia e Pai? Como escrever para Yasmin, que não pode ir aos ensaios de semana? Como dar a notícia? Como será o processo de parto, como será romper com o Sistema Solidário que tanto amamos? É tão bom!!!! É tão seguro, quentinho, acolhedor... Como destruir o muro? Vamos fazer teatro para vestibular e apresentar 3 vezes por dia todos os dias da semana em 59 cidades por mês?????????


Não.



Não vamos.



Continuaremos solidários, porém, vamos valorizar nosso trabalho e elevá-lo ao nível audacioso de PROFISSÃO.
Contrata um encanador, eletricista, serralheiro, médico, dentista, piloto, professor, marcineiro, gestor... Qual a diferença entre eles e o ARTISTA?

Melhore, São Carlos!

2 comentários:

rochaandre disse...

“Não me peça para dar de graça a única coisa que tenho para vender"

Boa, Cruz.

Força sempre!

Anna Kuhl, diga kil disse...

Ah Cruz, aaaaaaaaah Cruz !!!
Eu também tô fazendo curso de fluxo de caixa !!! Eu também estou falida !!! E mesmo assim, ainda me surpreendo quando vejo brotar de algum lugar, silencioso, sorrateiro, proibido, algumas moedinhas magras pra pagar a condução.
Bjão !